Além do dilema estético: a relação das canetas emagrecedoras com os atletas de alto rendimento
Surgidas no mercado por volta de 2010, para tratamentos de diabetes tipo 2, os medicamentos, depois de serem absorvidos pela obsessão estética, agora viram onda entre atletas de alta performance.
por Vinicius de Melo
Repórter
foto semaglutida por pexels
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m dezembro de 2025, 2 atletas do time de futebol São Paulo Futebol Clube fizeram o uso do medicamento Mounjaro durante a temporada. A informação agravou um quadro de polêmicas já existentes envolvendo o clube e culminou em uma série de demissões no departamento médico.
O episódio traz luz a um novo aspecto do uso das canetas emagrecedoras. Diferente do que já é discutido sobre a questão estética, agora os holofotes estão sobre esportes de alto rendimento em diversas modalidades (especialmente em esportes que não sejam de resistência, explosão ou contato).
🔎 Afinal, o que são os famosos medicamentos conhecidos como Mounjaro ou Ozempic?
São todos nomes diferentes para medicamentos análogos do GLP-1 (Glucagon-Like Peptide-1), hormônio responsável por sinalizar ao organismo que está na hora de liberar insulina e de reduzir o apetite. São substâncias externas que imitam outras já produzidas pelo corpo humano. Primariamente, eram usadas para o tratamento da Diabetes tipo 2.
O Mounjaro (Tirzepatida) tem sido procurado por atletas pela perda rápida de peso, aceleração do metabolismo e preservação de massa magra (principalmente em tratamento de lesões). Entre alguns exemplos de promoção de medicamentos por figuras do esporte, temos a ex-tenista Serena Williams, a ginasta Simone Biles e o ex-jogador de futebol americano Tom Brady.
Profissionais da área chamam atenção para a importância do uso assistido desses medicamentos. Além disso, conforme descrito pela nutricionista Aline Mendes, uma das determinantes para a prescrição do Mounjaro para atletas é o tempo.
“O atleta trabalha contra o tempo, por exemplo: um jogador de futebol voltando de um período de férias ou lesão e tem um jogo importante em breve, nesse tempo onde aumentou o percentual de gordura ele não terá tempo de perder esse peso, nesse caso os médicos entram com o Mounjaro.”
A profissional destaca também os efeitos colaterais: prostração (fraqueza, exaustão física ou mental), fadiga e grande ou total falta de apetite. Todas essas levam a impactos negativos na performance dos atletas. É importante que o uso seja rigorosamente calculado para que os ganhos não se transformem em prejuízos, que, conforme salientado por ela, podem ser maiores.
Sobre essa dinâmica, a Agência Mundial Antidopagem (ou WADA, World Anti-Doping Agency) tem visualizado padrões de uso dessas substâncias ao redor do mundo. Apesar de adicioná-las em seu programa anual de monitoramento, ainda não foram instituídas regras de utilização ou proibições de uso em competições oficiais. Não é possível saber com precisão se haverá alguma mudança na postura da instituição.
Por fim, Aline comenta sobre as alternativas a serem consideradas para que não seja necessário o uso do medicamento:
“O ideal seria um protocolo alinhado à temporada, considerando a fase de treinos, campeonatos e férias, com esse planejamento a necessidade de utilizar o Mounjaro cai muito (...) Se existir alguma compulsão ou problema emocional, acompanhamento com psicólogos ou psiquiatras e também a procura por fármacos que não causem os efeitos colaterais como os do Mounjaro”.
O cenário inaugura um novo round de debates e reflexões acerca dos preços da alta performance e “dribles” dados na falta de planejamento ou comprometimento.
Por vezes, os esportes são assombrados com métodos e atitudes consideradas extremas como, por exemplo, o “corte de peso”, prática realizada no MMA para perda súbita de peso de um lutador antes da pesagem que define sua categoria (visando uma luta mais fácil, em uma categoria menor).